belezas paisagisticas e artisticas de Trás-os-Montes
Domingo, 27 de Março de 2011
PORTUGAL E O PALHAÇO POBRE A PEDIR DE CHAPÉU NA MÃO.

        

               PORTUGAL E O PALHAÇO POBRE

 

              Rir utilizando a miséria alheia sempre foi cultivada ao longo dos tempos e nós, possivelmente, também fizemos parte daqueles que, em crianças, lá pelas aldeias ou nas grandes cidades, participámos em espectáculos onde a figura mais aplaudida era o “Palhaço Pobre” que dava umas cambalhotas, se apresentava com a figura ridícula de nariz redondo e vermelho, vestes longas, cores berrantes, desdentado e despenteado para acentuar o retrato de mendigo e, assim, mais comover a assistência a colocar umas moedas no chapéu, nos intervalos ou no fim do espectáculo.

         

       Assim nasceu a figura económica de “andar com o chapéu na mão” e “calças na mão”, como o “Palhaço”, a mendigar uns “escudos”, “cêntimos ou euros”, por aqueles que vão perdendo os postos de trabalho, vêem as empresas a caminho da insolvência, e as pequenas recordações de ouro entrarem nos prestamistas para matarem a fome aos filhos. Parece ser esta a imagem que um País com uma História gloriosa do passado se vê agora no papel de mendigo de chapéu na mão a lançar apelos aos quatro cantos do Mundo para virem em seu socorro para que não venha a faltar a maior número dos seus cidadãos o pão de cada dia. Parece que estou louco ou que  tudo se varreu da cabeça e que só já restam algumas imagens de criança ou tenho uma imaginação perturbada.

 

        É capaz de não ser bem assim.

 

    Tenho na minha frente o Jornal EXPRESSO de 26 de Março de 2011. Li-o com atenção e interesse. Vou transcrever algumas passagens:

    Da primeira página: «Bruxelas e Cavaco travam auditoria às contas públicas»; «Barroso, Merkel e Trichet não querem auditoria às contas públicas agora.»

    No Editorial pode ler-se: 

   «Neste momento sabemos onde estamos: temos uma dívida proibitiva, estamos em risco de perder o financiamento externo, temos metas orçamentais brutais e não podemos contar com a complacência europeia. Com ou sem ajuda externa, os partidos têm a obrigação de dizer aos portugueses o que os espera.»

  -   «O ex-ministro, Manuel Pinho, diz que o país vive acima das suas possibilidades e que a culpa é de todos: do Estado, das empresas, das famílias e dos bancos… A diferença entre o que Portugal gasta e produz é cerca de 10% do PIB, 1700 euros/ano por português ou 6.800euros/ano por família com dois filhos. Todos os anos o país tem de se endividar no exterior por este montante para financiar um trem de vida acima das suas possibilidades.»

        O que fica dito, penso que é suficiente para nos envergonhar como portugueses honestos. São horas de responsabilizar aqueles que, sendo uns pelintras, querem fazer vida de luxo e passar férias no estrangeiro, enganando os credores e os que vivem e trabalham ao seu lado.

       Será que, agora, os cidadãos honestos e trabalhadores vão ter as reformas ou salários reduzidos para dar subsídios e pagarem as dívidas dos desonestos caloteiros?

        São horas de tomar decisões justas e rigorosas e de não andarem a iludir e aldrabar o Povo, como tem vindo a acontecer nos últimos anos.

        É mais justo os Bancos e as grandes organizações de eventos luxuosos ficarem “a arder” do que os humildes trabalhadores de todas as profissões.

        E aos ladrões, sobretudo ricos, que os metam na cadeia, mas a comer à custa dos seus bens.  

    - Repugna-nos a ideia de ver Portugal no mundo, de chapéu na mão como um parasita.

      Esta situação é moralmente miserável e ofensiva para quem sempre viveu e trabalhou honestamente.  

                                         Artur Monteiro do Couto



publicado por belezaserrana às 00:36
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