
Pelos campos verdejantes, semeados de milho ou plantados de batatas, roda o carro secular de tracção animal puxado, em tempos idos pelo gado bovino, e, agora, em tempo de decadência agrícola pelo burro, também em extinção.
Os amantes da raça asinina, de Miranda do Douro, movimentam-se no sentido de preservar a espécie a quem o mundo rural muito deve pelos óptimos serviços prestados à humanidade, antes e depois das energias petrolíferas saídas do ventre da terra.
Hoje, mede-se a potência dos motores pelo número dos cavalos que seriam necessários para corresponder à potência energética deles. Mas com a escassez e carestia actual do petróleo, talvez tenha de se substituir a potência dos tradicionais cavalos pela dos burros que ainda existem, e são estimados em terras transmontanas.
Reparem na felicidade das crianças que se passeiam nos carros puxados pelos burros. Possivelmente, a mesma que os turistas ricos sentem a subir a Serra de Sintra puxados pelos elegantes cavalos de quatro patas.
Salvem-se os burros de quatro patas e acabe-se, apenas, com os ditos burros de duas.
Artur Monteiro do Couto
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