
Nas aldeias transmontanas do Barroso, logo que um jovem desperta para a conquista de uma jovem, os vizinhos, quando se apercebem que o rapaz se sente atraído por uma determinada cachopa (rapariga=menina), comentam entre eles que " Fulano ", e dizem o nome, anda a «arrastar a asa» a... e dizem o nome dela....
Ora, esta é a linguagem popular utilizada pela gente do Povo inspirada no que vêem fazer ao galo quando quer conquistar as namoradas dele = as galinhas. Quando a fogueira do amor está no auge, os galos começam a arrastar a asa, vão-se aproximando, lentamente, das que acenderam a fogueira anímica-sensual, e se elas lhe dão troco (consentem) eles saltam-lhes para cima e consumam o acto do amor apaixonante. Logo que isso aconteça,
o amante da galinha celebra a festa cantarolando com todas as suas forças: " CÓ-CÓ-RÓ-CÓ..." e repete a cantiga por longo tempo.
A natureza é uma força imbatível e admirável.
A gente do campo estuda na escola da vida a que os citadinos não têm acesso. E a sua grandeza de espírito é burilada, muitas vezes, com o comportamento das aves, que os ensinaram a cantar desde o romper do dia.
Artur Monteiro do Couto
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