belezas paisagisticas e artisticas de Trás-os-Montes
Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008
PORTUGAL E BRASIL DUAS PÁTRIAS NUM HOMEM SÓ.

 

                    DUAS PÁTRIAS NUM HOMEM SÓ
          QUE ORGULHA PORTUGUESES E BRASILEIROS.
 
        A este Homem, (Padre António Vieira), Fernando Pessoa chamou-lhe Imperador da língua portuguesa.
        Camilo Castelo Branco, depois de ter lido o Sermão da Epifania pregado na Capela Real a defender os Índios e os Missionários, da ganância e da escravatura de alguns colonos, escreveu: o Padre António Vieira comoveu até às lágrimas e fez que a santa liberdade volvesse à América a estalar gargalhadas do Índio e a cicatrizar-lhe as vergastadas do tagante (azorrague).
       O historiador francês setecentista, G.- Th. Raynal, considerou o Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda como o discurso mais veemente e genial jamais ouvido em púlpito cristão.
      - Depois desta introdução, anotamos que se está a celebrar o quarto centenário do nascimento de uma das figuras mais notáveis da História de Portugal, nascido em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608 e foi baptizado na Sé, vizinha da sua casa. Morreu na Baía (Brasil) a 18 de Julho de 1697, aos 89 anos de idade.
         Aos 6 anos de idade, (1614), foi viver para o Brasil, sendo matriculado no Colégio dos Jesuítas de Salvador. Em 1634 foi ordenado sacerdote. Cedo se revelou um orador eloquente e erudito. De forma enérgica, sempre se bateu pela causa dos Índios, defesa dos escravos e contra os colonos exploradores. Crítico dos abusos do poder exercido no Brasil pelos reinóis (naturais do reino), em 1641,na Baía, perante o Vice-Rei disse: « perde-se o Brasil, Senhor, porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem; vêm buscar nossos bens…». Nesse mesmo ano veio a Portugal numa delegação felicitar o Rei D. João IV pela sua ascensão ao trono.
          Depois de uma outra deslocação a Lisboa, em 1653, o Padre António Vieira regressa ao Brasil, como fundador efectivo da Missão do Maranhão e Pará, com um decreto da libertação dos Índios e profere o primeiro grande Sermão contra a escravização dos indígenas, o Sermão das Tentações, bem digno de ser lido na actualidade, onde existem novas formas de escravatura.
           Além de escritor, pregador, missionário, conselheiro político, diplomata, defensor dos direitos dos Índios, dos negros e dos Judeus,
              pelo pensamento, pela acção e pela palavra, fundiu num todo indissolúvel duas sociedades, ao mesmo tempo, tão ligadas e tão diferentes, como eram a sociedade do Reino e as que a prolongavam na outra margem do Atlântico.
           Passados 400 anos, estudiosos portugueses e brasileiros admiram-no e rendem-lhe homenagens, apresentando-o como modelo de vida e acção às camadas mais jovens, nas Escolas.
           No jornal “A VOZ DE TRÁS-OS-MONTES” de 4 de Dezembro lemos a notícia de que a Câmara Municipal de Alijó ofereceu aos alunos do Ensino Secundário uma peça de teatro intitulada “VIEIRA, António Padre, que se tornou numa aula viva sobre esta grande figura nacional. A peça alia a arte de representar com a imagem de vídeo, pondo, assim, as novas tecnologias ao serviço da aprendizagem, transformando o que por vezes é difícil de interpretar em atracção para os alunos. «Esta representação já ultrapassou as fronteiras da religiosidade, entrando em campos da política, criticando a escravatura dos Índios e a perseguição aos Judeus ou Cristãos Novos.
Pontuado por múltiplas situações de humor, “VIEIRA, António Padre”, é um espectáculo simples e agradável para os espectadores.»
          Muito mais poderíamos dizer , mas aconselhamos a leitura da sua Obra, existente nas bibliotecas municipais e nacionais.
          A um grande número de brasileiros, recomendamos, especialmente, a leitura dos Sermões em que defende os escravos e os pobres, para que não metam no mesmo saco os portugueses honestos e os exploradores. O Brasil é grande, em tudo, mas foram e são, ainda, os portugueses que o ajudaram a crescer, no território, na cultura e na riqueza que se vai acumulando cada dia que passa.
           -Foi com enorme prazer que seguimos pela televisão as entrevistas do Presidente Lula da Silva e do Governador do Estado de Minas Gerais, conduzidas pelo ex-Presidente da República Poruguesa, Dr. Mário Soares. Poderemos afirmar que esteve ali presente o pensamento e a acção do Padre António Vieira, 312 anos depois da sua morte (18 de Julho de 1697).
                             Artur Monteiro do Couto
 
 


publicado por belezaserrana às 17:50
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