QUEM PODE SALVAR PORTUGAL DA CRISE – continuação. (3)
Nota: Aconselhamos o começo da leitura deste tema pela primeira parte - dias 17 e 18.
Diplomado pela Universidade de Harvard, Belmiro de Azevedo chega diferente na desenvoltura, mais seguro de si. É já um especialista em gestão e não apenas o jovem engenheiro químico em quem os contabilistas queriam mandar.
Aplica os métodos de gestão a todo o Grupo Empresarial Pinto de Magalhães e os resultados foram imediatamente visíveis. Na Sonae, já tudo era documentado. No banco, não. O processo de decisão, na Sonae, podia ser autoritário, mas esclarecido e participado.No banco era isolado e secreto. Entrevista Belmiro de Azevedo -( Nota minha, A. C., como foi gerido, ultimamente, o Banco Português de Negócios e o resultado está à vista …)
Numa reunião, propõe aos patrões que deveriam entregar a gestão a operacionais. Os presentes ficaram todos pasmados com a sua coragem e continuou :«os gestores não devem ser as pessoas que sabem umas “coisas”, o habilidoso, a pessoa que tem um amigo na organização, o homem em part-time. Os que estiverem nestas condições deverão ser substituídos.»
Por estas e por outras do género é que os críticos da contra-informação lhe chamaram « O Belmiro Mete Medo…» E ele brinca com isso, como testemunhei, no Círculo de Leitores, quando disse à Mafalda Mendes de Almeida, Directora da “Mandala”, responsável do programa, se também queria um autógrafo do «Belmiro Mete Medo». E ficámo-nos a rir os três.
É que, com meias tintas não se vai a lado nenhum.
« E o Banqueiro Pinto de Magalhães passou a ter em Belmiro a estrela polar do seu quadro de gestores.» Para saberem mais pormenores à volta do que estou a referir, devem comprar o livro ou consultá-lo numa biblioteca.
AREVOLUÇÃO DO 25 de ABRIL, OS INCOMPETENTES do MFA e do IPE, vão escancarar as portas para que o Grupo SONAE seja aquilo que é hoje, em 2008 - uma potência económica com mais de 75000 (setenta e cinco mil trabalhadores).
«As perturbações revolucionárias que marcaram o ano de 1974 e, principalmente, o de 1975, traduziram-se, inicialmente, em conflitos laborais… As subidas dos custos da mão-de-obra e as rupturas de produção levaram muitas empresas à ruptura, dentro de pouco tempo.» «No meio da tempestade social e laboral, a Sonae é um oásis». Apesar da saída de Pinto de Magalhães para o Brasil, com Belmiro à frente, a saúde financeira permite a manutenção dos salários em dia. É que, Belmiro de Azevedo, além da competência profissional que todos lhe reconheciam, continuava a jogar na equipa de andebol a que pertencia e, materialmente, não era dono de nada. «Não tive nenhum problema de relações laborais na Sonae»- disse Belmiro de Azevedo.
«Quando os oficiais do MFA que iam à Sonae para, em plenários de trabalhadores, acusarem os anteriores proprietários de «fascistas e capitalistas»- deles (operários) saía uma chuva de enxovalhos e impropérios». Chega-se ao cúmulo de mesmo aqueles poucos trabalhadores que, no período revolucionário, tinham adoptado uma atitude de confronto com o proprietário e com a administração, estarem inteiramente do lado desta aquando do conflito com o IPE.
É nas negociações com o IPE que Belmiro escolhe a altura para dar os primeiros passos como empreendedor, iniciando a sua própria actividade empresarial. Difícil se torna, portanto, admitir que ele estava a movimentar-se por razões de ambição pessoal. Sempre manteve contactos com o patrão e quando ele voltou a Portugal Belmiro respeita integralmente os seus direitos de propriedade.
«Eu quase todos os meses falava com o senhor Pinto de Magalhães. No dia em que ele veio do Brasil, fui buscá-lo a Lisboa. Éramos mesmo muito amigos. Veio muito combalido. E foi totalmente apoiado pelo Belmiro. Nunca o Belmiro o considerou uma pessoa fora do baralho. Pediu-lhe para ir para a administração da Sonae. Pinto de Magalhães sempre foi muito respeitado. Há pessoas que dizem que o Belmiro se valeu dessa fraqueza. Não é verdade. Pelo contrário. Ele queria que o senhor Pinto de Magalhães avançasse. Este foi sempre tratado como patrão»
Manuel Vieira – entrevista
O Banco Pinto de Magalhães por volta de Janeiro de 1978 desaparece por ter sido integrado na União de Bancos Portugueses e Belmiro ameaça demitir-se, sendo acompanhado nesta sua atitude pelos 13 directores e quadros da Sonae. E os trabalhadores entram em greve para evitar que o Estado se aproprie da empresa.
É neste quadro que Belmiro se propõe tornar empresário por conta própria, acompanhado pelos directores. Decisiva foi a atitude dos trabalhadores.
Depois de um longo e bem sucedido combate entre os administradores socialistas, representantes do IPE, «Belmiro de Azevedo faz um acordo com o Senhor Afonso Pinto Magalhães, celebrado num protocolo escrito quando o banco desbloqueia em 1982, as acções do banqueiro. O engenheiro acabaria por distribuir 1000 dessas acções aos quadros da empresa, entre eles, eu próprio. No acordo ficou estabelecido que o Senhor Pinto de Magalhães nunca nomearia os genros para administradores das empresas sobre as quais Belmiro exercia a sua direcção» António Correia da Silva – entrevista.
Fernanda Magalhães Lemos disse: «Viemos a ter conhecimento desse acordo não porque o pai o tivesse contado. Ele poupava a família, e especialmente as filhas, às preocupações dos negócios. Mas havia documentos escritos pelo seu próprio punho, que conhecemos depois da sua morte. Que correspondem à versão conhecida.»
Seleccionámos o que nos pareceu fundamental para esclarecer que Belmiro de Azevedo não roubou nada ao Senhor Afonso Pinto de Magalhães, banqueiro e grande empresário, mas que toda a evolução do jovem engenheiro de TUÍAS – MARCO de CANAVEZES se fez no respeito pela persistência, trabalho e a “meritrocacia” que tem defendido ao longo do seu percurso empresarial de sucesso, que o tornaram no Homem mais rico de Portugal.
- Quando nos for possível, referir-nos-emos ao seu vasto património.
Desejamos que muitos outros jovens sigam o seu exemplo.
arturcouto@clix.pt