OS RECOS E SUAS AMANTES TRANSMONTANAS
DITARAM MODA PELO MUNDO
Quando insinuamos que a espécie suíno-transmontana (masculina e feminina ), de ascendência céltica, ditou moda narigo--estética a humanos especiais, que se deleitaram com os enfeites dos recos e recas que habitam as cortes atapetadas com queirogas, carquejas, tojos e palha de centeio, teremos que esclarecer:
OS PORCOS, fonte de riqueza económica e gastronómica, nas aldeias do norte de Portugal, circundadas pelos montes, como são muito irrequietos e mexem e remexem o espaço que lhes está destinado para habitação própria, os donos, para evitarem essa revolução “cortesca”, vêem-se na necessidade de lhes mandarem aplicar o
“«arganel = peça de ferro flexível, que se aplica no focinho dos porcos-porcas, torcendo as duas extremidades uma na outra, para que o animal não possa fossar.»
Ver Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo – Vol 1., 3ª Edição.
NA MINHA ALDEIA, do concelho de Boticas, presenciei o Senhor António “Zorro “, pessoa simpática e habilidosa, a fazer várias operações arganelares aos porcos que fossavam nos seus aposentos, pondo tudo em pantanas, deitando-se, pouco depois, sobre os seus excrementos fedorentos e repugnantes. Operação feita, assunto resolvido.
Longe estava eu de antever que a dolorosa operação feita aos suínos, - berravam em altos gritos e com as patas que iriam dar origem aos saborosos presuntos, -davam cada unhada no Ti Zé e no Ti Armindo que pareciam querê-los mandar para o novo suplício da fogueira que os aguardava mais tarde, depois de mortos à facada, repito, longe estava eu de vir encontrar em Lisboa, e por esse mundo além, seres humanos com arganéis no nariz, idênticos aos dos porcos do Barroso que agora estão a ser saboreados por paladares exigentes nas feiras do fumeiro e do presunto lá para as bandas da Galiza. Tive muita compaixão dos porcos e porcas quando os ouvi chorar dolorosamente;era ainda uma criança de tenra idade. Rendo-lhes a homenagem de terem servido de modelos àqueles que utilizam os arganéis dos porcos como um sinal de elegância e de afirmação de personalidade. Se pudesse, dava uma condecoração póstuma ao Ti Zorro por ter sido um dos pioneiros a lançar a moda do “arganel “ em seres humanos que, pelos vistos, invejavam a estética dos suínos transmontanos.
Artur Monteiro do Couto