belezas paisagisticas e artisticas de Trás-os-Montes
Sábado, 7 de Março de 2009
OS SINOS DAS ALDEIAS DE PORTUGAL - MENSAGEIROS DE ALEGRIAS E TRISTEZAS

   O adro de uma aldeia transmontana (SAPIÃOS-Boticas)             com os sinos no campanário - séc.XVIII.

        Numa época de meios de comunicação altamente sofisticados: satélites, televisões, rádios, telefones, telemóveis, etc., os velhos SINOS instalados nas torres (campanários) das igrejas continuam a exercer as funções de anunciar, às populações, notícias de alegrias e tristezas.

   Anunciam alegrias     quando repicam, (o sineiro bate directa e repetidamente com o badalo contra o sino), nos baptizados, na véspera de natal, ressurreição de Jesus Cristo, na Páscoa; e quando o sineiro o acciona com a cremalheira, a que o povo designa por o sino a dobrar, nos dias festivos, a anunciar que a banda musical chegou à aldeia e vai começar a arruada (banda percorrendo as ruas a tocar), antes das cerimónias religiosas, aos domingos, e dias da semana.
      O sineiro, homem que sabe tocar o sino, consegue variar os sons conforme os actos que quer anunciar. Para anunciar a morte de um homem, toca três vezes seguidas, com um intervalo de 1 minuto; para anunciar a morte de uma mulher, toca duas vezes; o povo diz, se dá duas ou três carreiras, que os sinos estão a dobrar a finados. Na morte dos “anjinhos”,(crianças de tenra idade), repica o sino em sinal de que um anjo partiu para o céu. 
     O toque das Ave-Marias, Trindades e das Almas, prática que se usava quase em todo o país está muito ligado à crença religiosa e também a algumas superstições. Uma das crenças mais arreigadas no povo transmontano era o toque para afugentar as trovoadas.
         Transcrevemos do poema “ Toque das Ave Marias” da Antologia de Poetas de Sempre coordenada por Barroso da Fonte:
                      «Os melros cantam
                        Canta a cotovia
                        Chegam os pastores
                        Quando acaba o dia
                        Cuidados tamanhos
                        Com os seus rebanhos.
                        Mal ouvem o sino
                        De chapéu na mão
                        Param e rezam.
                                  Ave Maria               
     O sino também tinha a função de convocar o Conselho da Aldeia, (os ajuntamentos), presididos pelo Presidente da Junta da Freguesia para resolver problemas colectivos; início dos trabalhos nos caminhos, arranjar os regos da água de rega, a arrebate, em casos de anomalias na vida comunitária, quando há incêndios, etc..
      Os relógios modernos, de torre ou campanário, fazem-
-se ouvir por toda a aldeia, e pelos campos agrícolas, utilizando, ainda, os sinos.
     Muitas destas tradições estão a perder-se à medida que as alterações sociais se vão operando. Mas vão ficar as saudades de todos os que vivemos esses tempos de paz e de solidariedade convocada pelos sinos quando a casa do vizinho estava a arder e ainda se desconhecia a palavra
“ Bombeiros “ e carros de incêndios; ou se suspendiam os trabalhos nos campos, quando os sinos anunciavam os funerais dos vizinhos, para os acompanhar à última morada.
                   Fiquemos nós, agora, com as recordações agradáveis declamadas pelo Grande artista do saber dizer, “ João Vllaret “ que rende a sua homenagem à voz dos sinos, ao teatro vivo das procissões, à decoração das ruas e à participação respeitosa dos cidadãos nas demonstrações religiosas das comunidades, recitando o poema de António Lopes Ribeiro, conhecido como homem de cinema:
                      
                       «Tocam os sinos na torre da igreja,
                        Há rosmaninho e alecrim pelo chão,
                        Na nossa aldeia,
                        Que Deus a proteja,
                        Vai passando a procissão.»
    Ler o poema todo na internet.
                             
                         Artur Monteiro do Couto
 


publicado por belezaserrana às 17:39
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2 comentários:
De aquimetem, Falar disto e daquilo a 11 de Março de 2009 às 20:07
Belo post ! Vim para deixar um abraço, já que na 6ª-feira vou até Angola passar um mês. Tenho lá a minha filha vou visitá-la. Muita saúde.


De mgraça a 20 de Março de 2009 às 23:54
O que mais gosto na minha terra é ouvir tocar o sino da igreja . Mesmo que estejamos há muito tempo fora, quando começamos a ouvir o sino , vem-nos tudo à memória e ficamos sintonisados como se nunca nos tivessemos ausentado.Bem haja por nos fazer lembrar coisas tão simples;mas tão importantes.
Ainda bem que também aprecia Barroso da Fonte.
Respeitosamente.


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