
Modelo de um moinho português -"Jorge Miranda", naFIL-Lisboa-2008
O pão de centeio contribui, mais do que os frutos e legumes, para evitar um enfarte, graças ao seu forte teor em fibras, segundo um estudo finlando-americano publicado na revista « Circulation »., editada em Portugal com o nome de ( Circulação ),sob licença dos editores americanos.
Ao consumirem três fatias de pão centeio por dia, além da sua alimentação habitual, as pessoas idosas que participaram no estudo reduziram em 17% o seu risco de mortalidade por enfarte, segundo os autores do estudo realizado no Instituto Nacional finlandês da Saúde Pública, em Helsínquia, com a participação de investigadores da Universidade de Harvard e do National Cancer Institute Norte Americano.
« Todos os tipos de fibras são bons para o coração, mas o centeio é um cereal-milagre», diz Pirjo Pietinem, um responsável do Instituto Nacional finlandês da Saúde Pública. Além disso, as fibras são essenciais para o bom funcionamento do sistema digestivo. Os finlandeses consomem mais um terço de pão de centeio do que os norte-americanos e a American Heart Association recomenda um aumento do consumo diário ao nível dos finlandeses.
Fica assim demonstrado, cientificamente, que o centeio deve fazer parte integrante de uma alimentação saudável e que de modo algum deve ser substituído por outros tipos de pão, como tem acontecido, ultimamente, na nossa região do Alto Tâmega e Barroso, porque o pão de centeio foi o alimento base de muitas gerações que, ainda hoje, atingem os 80 anos de vida sem recorrerem a medicamentos. Talvez por isso, e por razões históricas, é que assistimos a uma grande preocupação de não deixar perder os moinhos tradicionais para que a gente mais jovem os utilize em proveito próprio nos mais variados aspectos.
Vamos contar-lhes uma história de há cerca de 50 anos:
- Na aldeia de Ervões, do concelho de Valpaços, vivia o menino Armandinho, filho da professora da Terra e de um comerciante abastado. Na aldeia, três ou quatro famílias com mais haveres, começaram a comer o branquinho pão de trigo e a pôr de lado o escuro, fibroso e tradicional pão de centeio, semeado, ceifado, malhado, moído, amassado, fermentado e cozido no forno comunitário da freguesia. Alguns dos habitantes começaram a criticar o Pároco da aldeia por ser considerado rico e continuar a comer o pão escuro, - o dos pobres.
Com frequência, o menino Armandinho ia lá visitá-lo e sempre que o padre estava a merendar começava por dizer: «trata-te Dias se queres viver mais uns anos…». O miúdo, intrigado por ouvir sempre a mesma cantiga, pergunta-lhe: ó senhor abade, porque repete isto tantas vezes?
- Responde-lhe o abade Dias: digo isto porque me criticam por não comer o pão branco dos ricos mas eu prefiro comer o dos pobres porque é muito mais saudável e todo o organismo funciona melhor, por isso, o que me preocupa é ter saúde e não a crítica de quem me chama avarento…
- Quem teria razão? Responderam as investigações dos cientistas.
Terminamos com esta história que me foi contada à hora do almoço do dia 26 de Março do ano 2009, pelo agora Dr. Armando Jorge, em Lisboa.
Também eu fui criado a comer o pão centeio na aldeia de Sapiãos, Boticas – Trás-os-Montes, e continuo a preferir o pão com o farelo que, noutros tempos se dava aos porcos, do que o "aguento" e fofinho pão de trigo.
Agora, umas aspirantes à elegância, outras, para a manterem, chamam-lhe, impropriamente, o pão integral e é esse que preferem saborear e fazer transformar no seu aparelho digestivo, viajando para o circuito do sangue. (Circulation). Bom proveito.
Artur Monteiro do Couto