Boticas,7 de Agosto 2009
Na publicação do Roteiro Torguiano, em 2007, o Presidente da Câmara Municipal de Boticas - eng.º Fernando Pereira Campos – deixou escrito que «Nós também pretendemos eternizar, homenagear, cultivar a escrita de este Transmontano de caneta rija, certeira, por vezes rude, como tal verdadeira, mais sentida, mais nossa, mais Barrosã, mais Botiquense.» Isto, a propósito do que Miguel Torga escreveu sobre localidades do Concelho, nos seus “DIÁRIOS”.
Citamos do Diário de 1 de Setembro de 1991, nas Alturas do Barroso:
«Incansavelmente atento às lições do povo, venho, sempre que posso, a este tecto do mundo português, admirar no adro da Igreja, calcetado de lousas tumulares, o harmonioso convívio da vida com a morte. Os cemitérios actuais são armazéns de cadáveres desterrados da nossa familiaridade, lacrimosamente repelidos do seio do clã, mal arrefecem, cada dia menos necessários, no progressivo esquecimento, à salutar percepção do que significam na dobadoira do tempo. Ora, aqui, cada paroquiano pisa, pelo menos, dominicalmente, a sepultura dos ancestrais, e se liga a eles, quase organicamente. Vive, numa palavra, referenciado. Sabe que tem presente porque houve passado, e que, mais cedo ou mais tarde, enterrado ali também, será para os descendentes consciência e justificação do futuro.»
( Miguel Torga in “Diário XVI”, págs. 99/100)
No dizer do Poeta, nesta estátua de granito implantada nos jardins de Boticas,
«Vive Referenciado» e será para os visitantes de Boticas, «consciência e justificação do futuro.»
Miguel Torga ficará para sempre eternizado na Sua Obra Literária, admirada por todos os amantes da literatura, a nível nacional e internacional, e neste testemunho de gratidão dos Botiquenses pelo carinho que lhes dispensou nos seus escritos e nas suas frequentes visitas a esta Região.
O material escolhido, o granito, referido no «Reino Maravilhoso – Trás-os-Montes e Alto Douro-» por Ele referido com grande admiração, seria, certamente, o preferido pelo homenageado porque pela sua robustez é o que melhor se identifica com a nobreza de carácter e a verticalidade do conteúdo dos seus livros.
Artur Monteiro do Couto