
A FIANDEIRA TRABALHA NA COZINHA JUNTO DOS POTES QUE COZEM OS ALIMENTOS.
Para uma interpretação correcta do tema, devo esclarecer:
Ponto único. Na minha Terra, concelho de Boticas, Trás-os-Montes, um turista, comer bem ou comer mal depende de algumas variantes a considerar:
- Se tem dinheiro para pagar cerca de 20 (vinte) euros por pessoa e por refeição, pode escolher à lista e comer bem, na Albergaria Rio Beça, na Estalagem de Carvalhelhos, no Restaurante o Caçador,-em casas particulares- se for convidado, - e na aldeia típica de Vilarinho Seco (Alturas do Barroso)–Casa do Pedro -recuperada com apoios Comunitários. Nesta, com todas as características da Idade Média. Só que, para saborear um bom cozido à Barrosã, convém ir no dia certo ou juntar-se com uns amigos e encomendá-lo com antecedência. Então, poderá comer, sem gritar por mais, a não ser em dias subsequentes,: salpicão, toucinho, presunto, farinheira, chouriça de carne, vitela barrosã, devidamente certificada, batatas, nabos, couves frescas, apanhadas na horta minutos antes de entrarem no pote de ferro com três pés, e uma boa sobremesa caseira, à escolha. (Tudo, produtos regionais.)
Para alegrar o convívio e despertar mais o paladar, poderá beber um bom vinho tinto, o tal remédio para as doenças de estômago mencionado num dos livros do Professor Doutor Armando Moreno - médico, que em tempos não muito longínquos deu voz ao programa “ Viver com Saúde “ na RTP, produzido pela Videofono, editora, também, dos programas do Professor Doutor José Hermano Saraiva, agora a festejar os 90 anos do seu nascimento.
- Se a tensão arterial lho permitir, tome um café e beba uma bagaceira regional, numa dependência contígua à sala de refeições e junte, aos sabores, as belezas das paisagens criando no seu íntimo a sensação de estar num mundo divinal onde as modernices citadinas ainda não estragaram o que fez a mão do Criador.
A seguir, dê um breve passeio, a pé, até aos “Cornos das Alturas do Barroso” e basta para se sentir bem e não criar “barriga de vaca”, continuando elegante.
- Se é um “teso” e apenas souber contar uns magros cêntimos, então, poderá comer pouco e mal numa “tasca”, ou ter a sorte de encontrar alguém que conserve a tradicional bonomia transmontana do “ Entre Quem É “ e oferecer-lhe um bocado de pão centeio, presunto e vinho…- porque lá diz o ditado popular . «Quem não tem dinheiro não tem vício», neste caso, de comer bem e à farta.
- Diz a sabedoria popular: «Cada boca seu paladar». E o meu paladar contenta-se a saborear um frango caseiro estofado com azeite, tomate, alho, cebola, pimentos, salsa, folha de louro, alecrim e umas batatas cozidas no pote ao calor da lareira. E nessa altura, meio litro de “vinho dos mortos” a entrar pela boca, na adega passageira, e a suavidade alcoólica dos 11 graus, a subir ao cérebro, parece que estamos a viver no paraíso…
Aqui fica uma súmula do que pode constituir “ Comer bem na Minha Terra” e onde.
A escolha é sua. Desejamos-lhe bom apetite e algum dinheiro disponível para saborear os petiscos regionais.
Se quiser uma lista das ementas mais saborosas, peça-as no sector do Turismo da Câmara Municipal e recomende que lhe forneçam,sobretudo, as do extinto Restaurante Santa Cruz, elaboradas pelas proprietárias, irmãs Zulmira e Lurdes Cruz. Não o podemos fazer aqui, se não, em vez das recomendadas 25 linhas, teria de apresentar o esboço de um livro.
Desejamos a todos os que nos estão a ler que comam bem mas que não ponham de lado o sentido da estética e não partam os espelhos porque eles não têm culpa das banhas a mais de ninguém!...
Artur Monteiro do Couto
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