
DOZE MEXILHÕES PÕEM EM CAUSA A CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM
Segundo lemos no jornal «A VOZ DE TRÁS-OS-MONTES», «A Câmara Municipal de Boticas ainda não definiu a sua posição relativamente à construção ou não da Barragem de Padroselos no rio Beça. O Município prefere adoptar uma postura cautelosa sobre esta matéria e "espera para ver" o evoluir da situação.»
«Este empreendimento hidráulico pode ficar em causa, após a descoberta de uma colónia de mexilhões não comestíveis de água doce, Margaritífera, considerados em vias de extinção.»
- Aqui fica o nosso comentário, não científico nem demagógico:
Em Lisboa e arredores, cortam-se os sobreiros, fazem-se as pontes, umas quase em cima das outras, como o previsto, e os ambientalistas pouco mais podem fazer do que protestar.
Em Trás-os-Montes, pelos vistos, treze mexilhões não comestíveis e que não fazem bem nem mal a ninguém, escondidos num ribeiro de onde as célebres trutas que deram alguma fama e proveito a Boticas quase desapareceram, estão
a impor uma decisão aos humanos encarregados de gerir a natureza em "benefício do homem." Por isso é que se fazem grandes banquetes onde são servidos os mexilhões de outras paragens, sobretudo junto à orla marítima e foi daqui que nasceu a célebre frase: «Quando o mar bate contra as rochas,
quem se lixa é o mexilhão» e quem os saboreia em Lisboa ou no Algarve, são aqueles que querem vivos os não comestíveis da Barragem que iria abranger três Municípios: Boticas, Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena.
E quem pode garantir que um dia não envenenem os treze mexilhões transmontanos e ficarmos, deste modo, sem esta espécie de moluscos e sem os benefícios económicos da Barragem de Padroselos. E se isto acontecesse que iriam dizer os munícipes aos seus Presidentes das Câmaras e, um dia, ao Governo que tomasse a decisão em prejuízo da economia nacional?
Deixe os seus comentários que, pela minha parte, serão sempre bem-vindos. Como diz o ditado popular:
«Cada cabeça sua sentença...»
Artur Monteiro do Couto