belezas paisagisticas e artisticas de Trás-os-Montes
Terça-feira, 9 de Março de 2010
PAIS EXEMPLARES, OFENDIDOS E ESPOLIADOS PELOS FILHOS

 

          PAIS EXEMPLARES
         OFENDIDOS E ESPOLIADOS PELOS FILHOS
 
 
     A história que vou contar tem personagens reais e continuam vivos.
 
         Ei-la: uns camponeses pobres saíram da aldeia e rumaram à região da Grande Lisboa à procura de trabalho que lhes melhorasse o presente e garantisse o futuro.
Instalados numa barraca simples dos arredores da capital, chegaram a arrepender-se por terem trocado o casebre de granito e telhas por umas paredes de esferovite cobertas de plástico. Mas a esperança é a última a morrer, - assim aprenderam com os simples da aldeia. E começaram a sonhar que um dia poderiam ter uma vivenda com flores e uma garagem para o carro… Vamos ao trabalho que a nossa vida tem de dar uma volta.
Por sugestão de uns vizinhos, ela começou a trabalhar a dias e ele em serviços de limpeza. Eram fortes e saudáveis. Podiam trabalhar o dobro das horas daqueles que nasceram embalados pela moleza da cidade. E trabalharam, trabalharam e pouparam, que os vizinhos pobres ficaram admirados com eles e iam comentando: estes montanheses, a trabalhar e a poupar assim, qualquer dia saem daqui. E saíram. Foram viver para uma casa decente, com água, esgotos e electricidade. O sorriso voltou aos seus rostos e a ideia de um dia ter uma vivenda não lhes saiu da cabeça. Com algumas poupanças amealhadas, compraram um lote de terreno onde ainda pastavam as cabras e as ovelhas. Este, ficou intacto e imutável durante algum tempo. A conta no banco foi crescendo e quando, passados anos, puderam realizar o seu sonho, começaram a fazer muros em volta, a plantar árvores e roseiras. A seguir, nasce a vivenda dos seus sonhos. Tinha acabado de fazer anos uma filha, fruto do amor do casal. Foi uma festa bonita.
 Como era filha única, pensaram: e se puséssemos a casa em nome da nossa filha para ela não vir a ter problemas depois de nós morrermos… Assim fizeram; a jovem passava a ter aquilo que os pais nunca tiveram na vida, a não ser o sonho.
         Entretanto, a filha era já uma jovem senhora e os Pais estavam mais velhos e cansados. Como já tinham casa, emprego e umas magras poupanças para irem à festa da «Terra», disseram à menina dos olhos deles: nós vamos à aldeia e voltamos na terça-feira. Tens tudo o que te faz falta no frigorífico e dinheiro no lugar do costume. E partiram felizes. No domingo, a procissão saiu à rua, como era habitual, e à noite dançaram no arraial. Na segunda-feira, com saudades da filha, voltaram um dia antes do combinado.
 A viagem correu bem mas ao chegarem a casa encontraram uma surpresa: ao entrarem no quarto da sua prendada menina, encontraram-na deitada, nos lençóis de linho, abraçada ao namorado, despida e desgrenhada. O coração da mãe ficou mais negro do que as vestes do luto das viúvas; e o do Pai, mais gelado do que as pistas de gelo da Serra da Estrela. Uma desilusão total... mas o pior ainda estava para vir.
         - O Pai não podia suportar aquela situação de «amantes às escondidas» e insistia com a filha para legalizarem a situação pelo casamento. Ela compreendia as insistências dos “Velhos” e, por sua vez, dizia ao namorado que era melhor casarem o mais depressa possível porque ambos trabalhavam e podiam iniciar uma nova fase da sua vida.
           Mas o “matreiro”, que não sabia o que era a honra nem a dignidade, foi dizendo que não porque não tinham casa. Tantas vezes esta frase entrou nos ouvidos da jovem que lhe respondeu: a casa dos meus Pais está em meu nome, como é que não temos casa… O “saloio” impôs agora o impensável. Então corres com os teus Pais de lá para fora e vamos nós para lá viver sozinhos… E a pateta da menina que era a luz dos olhos dos que lhe deram a vida, foi na conversa do «burro sem cabresto»…correu com os Pais, que tiveram de ir viver para a garagem de um colega motorista profissional, para os patifes irem gozar o que foi fruto de suor e sangue e, por fim, da maior desilusão que alguém poderia admitir, nem sequer em sonho.
      E a partir desse ano, no dia 19 de Março, quando os bons filhos felicitam e agradecem aos Pais o seu Amor, aquele Pai sente espinhos a cravarem-lhe o seu coração generoso, mas desiludido e revoltado.
                     Juro-vos pela minha palavra de honra que isto é verdadeiro.
         - Aqui fica um alerta aos Pais corroborado com o ditado popular:
 «Quem faz o que é seu antes que morra, merece com a cachaporra»
 
         Leia os comentários e os textos relacionados com o tema, em http://aldeiadaminhavida.blogspot.com
                          Artur Monteiro do Couto
                              arturcouto@clix.pt

 



publicado por belezaserrana às 00:21
link do post | comentar | favorito

6 comentários:
De mg a 10 de Março de 2010 às 23:12
Boa noite ao Senhor!
Muito bem este alerta aqui, para todos os pais.
Estes pais , que raio de sorte terem uma filha assim...
Conheço também um caso muito parecido com este, mas com umm filho e uma mãe, velha e viúva!
Ainda bem que alguém alerta para estes casos.
Respeitosamente


De Lena a 11 de Março de 2010 às 14:38
Olá Artur!
Como já lhe tinha dito, eu como filha única, acho a atitude dessa miúda inacreditável. Foi mimada demais, umas palmadas perderam-se... Mas o feitiço vira-se sempre contra o feitiçeiro e ela ainda há de levar é desse namorado tão "querido" a quem ela achou por bem fazer uma vontade inadmissível...

Jocas gordas
Lena


De Lourdes a 11 de Março de 2010 às 23:56
Olá Artur
Vim ver o final do post da blogagem colectiva, mas já antevia este final. Também tive conhecimento de casos semelhantes. Alguns pais ficaram mesmo na miséria.
É triste mas é verdade.
Beijinhos
Lourdes


De flora maria a 12 de Março de 2010 às 01:27
Oi, Artur, assim como a Lourdes, vim correndo saber o final da história, que já adivinhava ser triste...
Enfim...


De Susana Falhas a 12 de Março de 2010 às 08:43
Olá Artur!

Que História !!!! Para esse pai, o dia 19 de Março é concerteza um dia igual a tantos outros...

Abraço, Susana


De Susana Falhas a 12 de Março de 2010 às 12:36
Enviei um convite especial para si para o seu email, em nome da Aldeia da minha vida.

Abraço, Susana


Comentar post

Sapiãos (Boticas)
subscrever feeds
pesquisar
 
Vida Rural em Sapiãos
Do namoro ao casamento

Aspectos da vida rural
Junho 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


posts recentes

SUBA AS MONTANHAS E VOLTE...

CHAVES RECEBEU EM FESTA A...

OUTONO CHEGOU FARTO, CHUV...

TERMAS DE CHAVES A GALIN...

MENSAGEM DOS QUE PEDEM PA...

O MEL TUTI_FLORES DÁ SAÚD...

HISTÓRIA DA ALDEIA ONDE ...

AS FLORES NÃO ENCOBRIRAM ...

HISTÓRIA DE CHAVES CONTAD...

ENTRE OS PORTUGUESES TRAI...

arquivos

Junho 2015

Março 2015

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

mais sobre mim
Sapiãos no mapa

Ver mapa maior
subscrever feeds
blogs SAPO