Primeira - Lenda de São Sebastião na Freguesia de Couto de Dornelas.
1807. Napoleão, depois de fracassada a primeira invasão francesa, em Lisboa, e de a Família Real se ter retirado para o Brasil, antes da chegada dos invasores, mandou invadir novamente Portugal. A segunda invasão francesa entrou em Portugal por Chaves comandada pelo general Soult com destino à cidade do Porto. Os soldados, pelo caminho, tiveram o comportamento dos da prmeira invasão até Lisboa: por aonde passavam, pilhavam tudo o que mais lhes agradava, mesmo para se alimentarem.
Da Fronteira de Chaves, continuaram a invasão, passando por Sapiãos, Boticas, Couto Dornelas, prossegundo os seus objectivos pelo caminho mais curto até ao Porto.
Aqui nascem as Lendas de São Sebastião e a do Vinho dos Mortos de Boticas.
1- « A tradição da festa de S. Sebastião em Couto Dornelas assenta na lenda de que alguns habitantes da aldeia teriam pedido auxílio ao Santo para que os livrasse das incursões dos Gauleses e dos perigos que eles poderiam representar para os habitantes da freguesia, roubando-lhes os mantimentos que tinham em casa, os animais e outros haveres. Em troca de nada de mal lhes acontecer, eles teriam feito a promessa de, anualmente - 20 de Janeiro- fazerem uma festa em honra do protector, oferecendo aos forasteiros que participassem nela, pão, carne de porco e arroz. E promessa feita tem de ser cumprida para que não venham os castigos de Deus. E assim, desde o século XVIII, todos os anos se juntam muitas centenas, e em alguns anos, milhares de pessoas a participarem nesta tradição, actualmente, um dos melhores cartazes turísticos de toda a região do Barroso. »
Politiquices à parte, a tradição deve continuar. É um elemento cultural importante. A mesa alonga-se por muitas centenas de metros em grande camaradagem entre residentes e visitantes.
2- Lenda do «Vinho dos Mortos.»
Diz-se que os lavradores de Boticas, para não serem roubados pelos soldados, enterraram as vasilhas (garrafas) do vinho, deitando-as ao comprido e cobrindo-as com terra como se faz aos mortos nos cemitérios. E os militares tiveram de se contentar com a água das fontes. Porém, o imprevisto aconteceu: quando foram desenterrando as garrafas notaram que o vinho tinha uma cor e paladar diferentes, para melhor. E, desde então, há quem enterre novamente as garrafas para melhorar o vinho, de cerca de 10-11 graus.
Esta lenda tornou a vila de Boticas conhecida por esse mundo além.
Em pleno século XXI estão a onstruir um túmulo para «O Vinho dos Mortos» para que a lenda
continue.